Depois que deixou de ser fabricado no Brasil, em agosto de 2006, o Audi A3 virou uma porta de entrada para o mundo dos carros importados de fora do eixo Mercosul-México. Ficou bem mais caro que o nacional, que era produzido no Paraná, mas ainda dispõe de uma versão "popular" com motorização 1.6 e tem carroceria hatchback de porte pequeno-médio. À exceção do Série 1 da BMW, não encontra similares na trinca de marcas alemãs (completada pela Mercedes-Benz) que, para nossos padrões, entregam luxo e desempenho de sobra.Agora o A3 vem da Alemanha e tem o design da segunda geração do modelo, lançada em 2003 no país de origem. Na versão Sportback, que possui motorização 1.6 ou 2.0, o destaque é para a traseira, que ficou mais alta, massuda, e ganhou lanternas de corte irregular. Isso espantou a relativa placidez do modelo anterior, e ficou sob medida para a versão mais atrevida do carro.O Sportback que realmente importa - e o que mais vende - é o de motor de 2 litros, quatro cilindros e 16 válvulas, que ostenta o "sobrenome" T FSI: "T" de turbo e "FSI" de "fuel stratified injection" (injeção estratificada de combustível, ou, simplesmente, injeção direta). Sua potência é de 200 cavalos. O trem de força pode completar-se com transmissão automática (ou automatizada, como preferem alguns) S tronic - como no exemplar experimentado por UOL Carros - ou manual de cinco marchas.Embora possua quatro portas e equivalha, em tamanho, aos hatches médios nacionais (o comprimento é de 4,28 metros), por dentro o A3 Sportback busca o espírito de um cupê esportivo. Até há bom espaço para duas pessoas no assento traseiro (apesar de o entreeixos ser modesto, de 2,58 metros), mas o interior parece mesmo pensado para levar só motorista e passageiro. É sintomático que o ar-condicionado permita regulagens diferentes para ambos, mas ignore quem vai atrás. Essa sensação se intensifica com os bancos dianteiros (de couro e muito confortáveis), que seguram o corpo quase como num carro de competição.Na lista de mimos oferecidos pelo A3 Sportback estão, entre outros, o sistema de som Audi Symphony para seis CDs e adaptador para iPod, com o detalhe "cult" de possuir toca-fitas; diversos comandos instalados no volante; computador de bordo bem completo e com opção de velocímetro digital; faróis de xênon com acendimento automático; e sensor de chuva. Teto solar panorâmico (duplo) e sensor de estacionamento são opcionais.Quanto à segurança, o carro possui freios com sistema antitravamento (ABS), airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro, além do controle eletrônico de estabilidade (ESP). Reforçando a vocação de "carro para dois", os airbags traseiros são opcionais.
Motor ligado
Ao virar a chave, o motorista precisa saber de antemão que o A3 Sportback tem dupla personalidade. Se a pisada no acelerador for comedida, ele vai rodar macio e silencioso. Pressionando o pedal com agressividade, a resposta vem na mesma moeda - e o A3 parece capaz de levantar vôo.Os números de fábrica são impressionantes para um carro do segmento -- e totalmente críveis, a julgar pelo seu comportamento depois que o propulsor acorda. A Audi afirma que o carro vai de zero a 100 km/h em cerca de 7 segundos; uma retomada de 60 km/h para 120 km/h (dado relevante para a segurança) ocorre em 5,4 segundos. A velocidade máxima é de 236 km/h.É verdade que o motorista brasileiro terá pouca (ou nenhuma) chance de levar o motor 2.0 T FSI ao limite -- coisa que os alemães podem fazer em suas rodovias. Mas o trem de força do A3 não oferece apenas desempenho. Há muito prazer em dirigir o carro. O "segredo" disso é a transmissão S tronic de seis velocidades. Ela age em sintonia com o piloto do carro, como se interpretasse o que ele espera do A3 a cada momento.No modo D (drive, automático), por exemplo, as mudanças ocorrem rapidamente. Antes dos 80 km/h o A3 já vai estar em sexta marcha, bem solto, mas nunca fraco - tipicamente, o conta-giros vai mostrar 2.000 rpm, valor dentro da faixa de torque máximo (28,5 kgmf), que fica disponível entre 1.800 e 5.000 giros. Não há trancos ou buracos incômodos entre as marchas.Nessa situação, o A3 parece programado para oferecer conforto e comodidade como prioridades. Impressão reforçada pela suspensão (dianteira tipo McPherson e traseira four link) nem dura nem mole; e, apesar de passar uma sensação de leveza, o carro também é sempre muito estável - segundo a Audi, devido à tecnologia que permite aplicar espessuras diferentes a uma mesma chapa de aço do monobloco (estrutura) do carro, evitando emendas e dando maior rigidez à carroceria.
Ordem de força
Voltando àqueles 80 km/h descritos acima: se o piloto calcar o pé no acelerador, o câmbio S tronic interpreta que precisa providenciar mais força - e rápido. Imediatamente ele reduz de sexta para quarta, os giros explodem, e o A3 deixa todo mundo para trás. Efeito semelhante é obtido com o câmbio na posição S (de sport). De novo a 80 km/h, basta deslocar a alavanca para que os giros subam 50% (a 3.000) e o câmbio reduza para quarta, à espera da ordem para "decolar". O carro vai sempre trabalhar no limite de cada velocidade, bem nervoso.Caso o motorista queira dar mais personalidade à condução, pode optar pelo modo seqüencial, cujas trocas são feitas na alavanca ou em borboletas atrás do volante. Mesmo em D é possível antecipar uma ascensão ou reduzida de marcha.O entendimento quase perfeito entre motor e câmbio é garantido pela embreagem dupla - uma para as marchas pares, outra para as ímpares. Na prática, o S tronic pré-engata a marcha seguinte à atual, antecipando a troca e evitando perda de força entre uma velocidade e outra.A conclusão é só uma: o câmbio S tronic é o grande trunfo do A3 Sportback. Talvez nenhum outro modelo ganhe tanto ao substituir a transmissão manual pela automática. E o equipamento (por ora) é exclusivo do A3 dentro da gama Audi. (UOL Carros)